Brechó: short colorido 36, Shop 126, $40

Short listrado todo coloridinho curtinho e lindo da Shop 126, tamanho 36. Não fica coladinho, fica mais ou menos soltinho porque tem essa estrutura de alfaiataria e tem um leve brilhinho no tecido. 97% algodão, 3% elastano. Pouquíssimo usado. Está aqui por motivo de crescimento para os lados.

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Sobre mim, o blog e mais uma coisa ou outra

Eu nunca fui só uma coisa. Nunca fui só estudante; eu era estudante, escritora amadora, “tocadora” de violino, rata de academia e viciada em chats de mirc. Depois que eu entrei pra faculdade, eu não podia ser só acadêmica de medicina. Eu era acadêmica de medicina, participante de blog literário, caçadora de aventuras em viagens ao outro lado do mundo e em acampamentos nacionais, estudante de francês, cinéfila, obcecada por festivais de animação e especialista em feira livre, supermercado e elaboração de cardápios.

Então é lógico que eu não ia ser só médica.

Desde que me formei em medicina, poucas coisas extra-curriculares ficaram. Algumas deixam uma saudade gostosa: o violino, a escrita, as aventuras. Talvez eu volte a fazer alguma ou todas essas coisas.

Como boa geminiana, tratei de me reiventar um pouco mais pra me reerguer de obstáculos pesados, veio a necessidade de uma espiritualização mais consistente e, com ela, uma identificação inesperada e admiração pé-no-chão pela filosofia budista. Uma trégua com a psicanálise, que virou cúmplice. E assim como o “eu” real eram muitos, o virtual não foi diferente. Desde 2000 tive blog de textos mais literários, blog de textos mais intimistas, blog secreto de confissões, blog de imagens cotidianas. Depois veio blog de brechó, que foi um verdadeiro exercício de se apaixonar por roupas e cores devagarinho, mesmo que elas estivessem indo embora para outras pessoas, porque sempre me estimulavam a beber de outras fontes, a buscar mais. Depois, veio o blog de coleção dos melhores momentos de cada dia, onde eu tentava casar texto com imagens tiradas de fontes incríveis, devidamente creditadas, é claro. E ainda um blog sobre idéias de decoração e listas de desejo para a casinha onde eu vim escrever a minha própria história, de amor, de sonhos e de realismo.

Mas a moda. A moda nunca foi importante pra mim. E eu só comecei a nascer pra essa coisa, à qual a maioria das mulheres se atraem desde pequeninas, há pouquíssimo tempo. Quando enxerguei pelo ângulo que transcende o formato cru de pensar em tudo como estratégia de consumo, um dos principais combustíveis que inegavelmente giram o mundo onde a gente vive. Descobri que a reivenção, que sempre foi alguma parte bem essencial de mim, também acontece via tecidos, texturas e cores. Que é possível, sim, se comunicar através de roupa, sapato, colar, brinco, bolsa, maquiagem. Que pode não ser fútil, pode ser só mais uma camada de personalidade. Que, não importa o que você vista, você está comunicando alguma coisa. E que, se a vida é determinada por escolhas que a gente faz o tempo todo, por que não escolher com um pouquinho mais de cuidado e carinho aquilo que a gente usa não pra esconder (como era a função pré-histórica), mas pra valorizar a casa da nossa consciência? Esse aglomerado de células que respiram, que se nutrem, que morrem e nascem. Chamado corpo. E quanta beleza, quanta criação, quanta diversidade a gente pode agregar a nós mesmos? Todo dia. E de tanto ver na telinha pequena do computador tanta gente no mundo todo transformar em arte a forma de projetar a sua imagem no mundo, não demorou muito a me dar vontade de tentar também. (Eu que já tentei tanta coisa que valeu à pena.) E assim começa esse diário de armário,  um exercício de  reinvenção, um desafio de uma coisa que nunca me foi instintiva, natural. Uma experiência de uma nova forma de comunicação. Mesmo que seja uma comunicação pra poucos ou para quase nenhum, um monólogo até. Mas pra alimentar um pouquinho mais a interação com o mundo através de alguma criação, já que quase tudo do que eu faço diariamente é preenchido por tanta ciência. O tipo de hobbie que mantém as nossas sinapses ativas e nutre aquele espaço entre os dias, que vai costurando a nossa vida. E não demorou muito também para que fizesse sentido juntar o diário aos meus outros pedacinhos virtuais que sobreviveram ao tempo e à falta dele.

E é assim que começa aqui essa mistura de uma pessoa. Afinal, quem é que quer ser só uma coisa, né?

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perguntas que afundas de respostas

Tanto julgamento, tanta repercussão para, no fim, o quê? Não vale nada que não seja a oportunidade preciosa de ter a razão. Que, também, para quê?

O amor, sempre esse palavra. Quase uma desculpa, quase um trunfo mágico que se dobra por cima das frases, depois de o texto já pronto, pra fazer sentido.  E não faz.

Aliás, faz. Mas só para um lado. O lado que vê sob aquele prisma, que compreende aquela linguagem. Quanto prazer existe em humilhar, com discursos ou monossílabos, com emoção ou indiferença, quem está do outro lado?

Às vezes a vida é esse rio entre a gente. Mas, sabe, as margens são paralelas, a gente vai tudo pro mesmo lugar. Como não disperdiçar energia tentando empatar um jogo perdido? Um redemoinho de amargura tentando mudar o curso do rio. A correnteza é mais forte que as palavras. Ou mesmo do que a falta delas.

Sempre vem alguém colocar o coração no meio do furacão. Mas, olha, o coração é só uma bomba. Uma bomba automática, o que deixa tudo ainda mais absurdo: o que não se controla, o que não se desliga, não sem alguma coisa que se ingere ou se dissemina pelas veias. Mas palavras, ações, silêncios. Coração passa batido. Segue batendo. Te deixa lá atrás, com o seu coração na mão. Ou pulando pela boca. Ou partido.

Talvez consciência seria uma moeda de troca um pouco mais valorizada nesse mercado de sonhos que morrem e reincarnam em outros. Mas quem julga com consciência? Quem compreende se teletransportando pra consciênca do outro e faz exatamente aquela mesma escolha, toma a decisão maldita num espaço-tempo simultâneo? Em que momento cessam as projeções de uns nos outros e os seres podem plenamente exercer a sua semântica e simplesmente e, tão somente, ser?

Todo mundo quer ser aceito. Só que (não se iluda) aceitar é acrescentar uma quantidade cavalar de paz ao conformismo. Fazer uma escolha é se reafirmar a todo segundo e ter filhos é emprestar tudo de si a fundos perdidos. Ou, simplesmente, se doar. O que será que acontece com todo aquele sangue que a gente doa?

A medula fabrica mais célula pra formar mais sangue. Mas quem repõe a dedicação de uma vida inteira? A alguém, a um trabalho, a um ideal. Talvez a mão dupla deveria ser com a mesma pessoa nas duas pontas.

Identidade é uma coisa que se constrói com cada suspiro, com cada influência e gene e gente, tanta gente que compõe a gente.  E custa tanto, dói tanto.  Aquela coisa do medo e do respeito: as 2 formas de conseguir reconhecimento. Ou a venenosa mistura dos dois. Um caminho é sempre mais fácil do que o outro. Qual é qual?

A manipulação parece ser a principal e mais oculta antagonista da liberdade. Que, talvez, não passe de uma utopia criada por artistas para nos seduzir. Fé cada um tem a sua. Talvez liberdade também.

Mas encher as nossas vidas de perguntas não necessariamente irá enchê-las de sentido. Só de perguntas mesmo.

O que ocorre é que há coisas absolutamente boas e outras absolutamente ruins. Mas a maioria, não, a maioria está em algum lugar ali no meio. Do bem histórico e do mal consolidado. E no meio, misturado, boiando na superfície pra todo mundo ver. Do rio, da vida que existe entre a gente.

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melhor-hora: tradição entre amigos

por mais que, em relação a outrora, eles sejam numericamente inferiores (cada um seguiu seu caminho e tem muita gente que foi parar lá longe), trabalhem muito e pareçam ter menos assuntos e mais resmunguices, o conforto do silêncio de cumprir uma tradição de mais de 10 anos como um festival de animação. e, principalmente, a calma. a calma de não ter que viver tudo ao mesmo tempo, ver tudo, sentir tudo, ser tudo. a calma que o passar do tempo traz pra gente.

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quanto vazio pode caber dentro da gente

aí você cresce, arrefece, envelhece. ganha um pouco, perde um pouco. esse último pouco é traicoeiro: sempre parece maior. maior que a gente. você esfria, esvazia. um reflexo medular clássico é se afastar do que causa dor. só que aí a distância causa dor. como se afastar da distância?

jovem quebra tudo porque tem muito pouco a perder. eu tenho quase nada. sou poeirinha. quebro tudo e me quebro inteira. adulto é cheio de sonho enrugado pela umidade do tempo, do choro, do esforço. e os sonhos vão sendo minados, vão sendo substituídos por outros, um monte deles riscados: não é feio desistir? sobram quantos no final? quantidade, qualidade.

quanta expectativa está refletida em um indivíduo que está nascendo? e quanta estampa um velhinho que está morrendo? morrer é tão mais leve. tanto que a gente morre um pouquinho o tempo todo. cada contração do coração a mais é também uma a menos. pra que, quando a gente morrer de vez, seja um sopro. se desmaterialize. diga sim ao convite da vida, como disse aquele filme tão bonito. pra não mais lutar, não mais hesitar, não mais defender, não mais conquistar. ceder. a entrega mais crua. simplesmente não-ser. e não-ser tanto e tão plenamente que, de repente, ser. em seu formato mais sofisticado e mais primitivo.

às vezes parece que não tem jeito: quem não se corrompe ganha o quê? quem se anula à sombra dos outros perde o quê? e como punir? quanta coisa a gente pode falar sobre punição. qual verdade é a certa? a sua, pra você. a deles, pra eles. as verdades definem mocinhos e vilões. quando, no fundo, todo mundo é tudo e cada um vai afiar as garras no momento em que julgar necessário. cada um vai tentar impor a sua verdade de um jeito e todo mundo vai sair ferido. porque bancar as próprias escolhas é comprar a briga da sua vida. como comprar uma briga se não se tem como financiá-la? as prestações vão consumindo os laços, vão desgastando a humanidade nossa de cada dia. vira tudo vilão.

não se importar com o que pensam é a mentira mais bem inventada na qual a gente pode acreditar. porque é assim que se anda pra frente. senão vamos todos disperdiçar tudo em palavras.

se deixa. se deixa enovelar por essa luz que entra de manhã, encarando-a sem franzir a testa, só aceitação mesmo. a espuma da louça recém lavada ainda nos seus dedos. essa é a escolha desse minuto. (cada um não é uma?) fechar os olhos e mergulhar na escuridão de dentro. e, tateando, encontrar o próprio prumo. morder um morango que espalha o seu suco por todas as papilas da sua língua, mancha a sua boca de vermelho, deixa aquele sabor de brinde. até passar.

porque o que sobra é sempre só gente. só corpo, saliva, cheiro, emoção, angústia. tudo igual, comprando a própria briga todo dia, um dia ganhando, outro perdendo, um dia sendo mocinho, outro dia bandido, carregando tanta bagagem pra um dia poder, enfim, não carregar nada.

queria tanto falar de mágica.

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