Reproduzo abaixo o email da Bianca Costa, com sua autorização.
Só a possibilidade de sensibilizar uma pessoa e, como conseqüência, ter um retorno desses faz valer à pena vencer aquele cansaço do final do dia pra procurar a imagem certa e encontrar as palavras pra expressar a melhor hora do meu dia corriqueiro de trabalho. E fica a mensagem de que a gente sempre pode tirar mais força da onde achava que não tinha mais. Penso que a vida seja uma compilação de superações, para uns mais árduas do que para outros, mas ainda assim.
Hoje fui lá no seu brechó e vi que o vestido foi vendido… =/
Apesar disso ter cortado meu coração, outra coisa – e sempre tem uma! – me deixou emocionada… “a melhor hora”. E agora eu vou te amolar um pouco e desabafar: perdi uma irmã no final de 2008 e dentre os 5 irmãos que tinha ela era especial, a mais próxima, aquela que combinava comigo, a mais nova, a mais tchutchuca, então foi uma perda muito difícil de ser superada e nem sei se vai ser um dia. Enfim, com isso, passei o ano inteiro de 2009 vivendo um luto que parecia nunca acabar e, consequentemente, consegui ficar tão fraca e desanimada e tudo junto ao mesmo tempo, tudo ruim e tudo muito dolorido que vieram doenças e veio uma anemia que eu nunca conseguia dar jeito e exames e investigação disso e daquilo… E um diagnóstico recente de lúpus. Este ano já fiquei internada três vezes, o que eu espero que não aconteça mais porque ninguém merece ser tão furada como eu fui e ninguém merece comida de hospital sem sal, sem potássio e com restrição hídrica. Numa dessas internações, havia um casal de velhinhos, ela com 71 e ele com 84, ela com Síndrome de alguma coisa que esqueci o nome, e ele acompanhando-a, ficou com ela lá os quatro meses em que ela tentava se recuperar… Ele tocava gaita para ela todos os dias e quem estava no quarto ganhava músicas lindas de presente e isso me ajudou tanto a acreditar que eu sairia dali melhor do que entrei, mais fortalecida, acreditando um pouco mais na vida.
Ainda estou me recuperando da nefrite, estou em casa meio afastada da minha vida, ainda tentando entender como cheguei neste ponto, mas não sei se tenho o direito de reclamar de algo.
É isso.
Beijo com carinho,
Bianca